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Verde Louro: O Forte entre as Oliveiras

Cleber de Moraes

Capa de Verde Louro: O Forte entre as Oliveiras

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Dupla Reflexão: Anverso e Reverso

20 de Dezembro de 1548, 7h45 da manhã — Funchal, Arquipélago da Madeira, Portugal

O sol nascia no leste, derramando sua luz dourada sobre as pedras das ruas estreitas de Funchal, na Ilha da Madeira. Uma jovem donzela de quase dezessete invernos, caminhava apressada, os sapatos de couro rústico — de tonalidade dourada com detalhes em marrom e rubro escuro — ecoando sobre o calçamento irregular.

O som de passos parou por um instante, foi para ajeitar os meiões de lã fina, e algumas anotações que segurava contra o peito escorregaram de suas delicadas mãos. Sem hesitar, ela se agachou e, com delicadeza, recolheu-as uma a uma.

Porém a pressa fez com que ela deixasse alguns manuscritos no chão. O frio da manhã, com seus 15°C típicos do inverno madeirense, não a incomodava. Estava acostumada com aquele clima desde a infância.

Seu vestido de brocado, tecido de valor reservado às famílias abastadas, tinha detalhes florais entrelaçados com folhas de tulipas, onde cada curva do bordado parecia contar uma história. Para caminhar com mais pressa, ela ergueu a parte frontal da saia, sacrificando a elegância em favor do tempo perdido.

Alguns senhores que passavam lançaram olhares reprovadores. Um deles, de barba grisalha e chapéu desbotado, murmurou com desdém:

— Filha dos Moraes… humm! Tão refinada e tão desajeitada. Que tempos são estes?

© Cleber de Moraes.