Abertura: Ano 2030 - Operação Caaporã
Trovões rasgavam as nuvens pesadas no imenso céu do Rio de Janeiro, que estava dominado por uma tempestade de proporções apocalípticas, desenhando um cenário dramático de luz e escuridão.
Entre os voos rotineiros que cortavam o espaço aéreo, um se destacava pelo seu propósito incomum na zona sudoeste brasileira: o Embraer KC-390, uma aeronave robusta, preparada para missões que iam além do convencional, carregava em seu ventre não apenas suprimentos, mas a esperança de uma trégua nas tensões que fervilhavam nas ruas do Rio de Janeiro.
Enquanto a aeronave sobrevoava em uma altitude segura e furtiva sobre a cidade, contornando as nuvens pesadas, seu compartimento se abriu, libertando a primeira caixa de suprimentos.
Eles desciam como embaixadores da paz, prometendo um alívio temporário às facções, que dominavam os dias e as noites cariocas com medo e “violência selvagem”.
A aeronave realizou uma curva levemente à direita do litoral, como um gigante benevolente se movimentando no céu, liberou os três últimos pacotes, mas um contratempo inesperado se apresentou: o compartimento não se fechou após seu objetivo de paz temporária.
Uma música clássica tocada em piano começou a emergir de dentro do avião, parecendo ser uma caixa de som mal equalizada, com ênfase nas tonalidades médias e agudas, que poderia ser facilmente um fone de ouvido em seu volume mais alto. Neste limiar, onde a penumbra se encontrava com a luz, uma figura emergiu, delineada contra o interior sombrio do avião.
